Luz de Sombra
terça-feira, dezembro 13, 2005
 

À TUA ESPERA
Sol:
calor de Agosto
em dias vazios
e lentos...
Mastigo o Verão
de férias inúteis
e vozes estranhas
de queixume...
Queimo a alma
nesta sombra clara
de casa ardente...
Gasto os segundos
somados minutos
à espera que se façam dias.
Agosto/90
 
  Vozes Distantes

(NÃO) SER POETA

Mastigas a solidão
olhando a sombra
dos passos.
Esvaiu-se o horizonte
por não encontrares
a palavra
que tanto procuravas.
Não morreste,
mas será que vives?
Outubro/97



AUTORIDADE(?)

É de granito
essa voz,
e não se torna
àgua...
Subiste à montanha
e por lá ficaste
sem que o caminho
seja de volta...
Outubro/97
 
 
VAGABUNDO DA SOMBRA
Olhar manso
passos lentos...
Dói-te existir,
fugiu-te a esperança...
Amas as ruas,
sabes do sol
como das lágrimas,
bocejas na sombra
à procura de ti.
Outubro/97
 
sábado, dezembro 10, 2005
 

TU

Entalo a língua
nos dentes
para não gritar
ao horizonte
que trago na alma
o teu coração!

Por isso oiço
este palpitar
sempre que penso...

Agosto/90

 
 
INCOMPLETO

Tenho um rosto
entre o olhar,
seguro-o de mãos
trémulas
... não vá ele chorar...

Tenho um sonho
de águas de abril
para lhe dar
antes que chegue maio
... ou o mar...

Tenho uma melodia
por desenhar...

Por isso beijo
este rosto
e o olhar

... com os dedos
... lentamente
... não vá gritar...

s/ data
 
 
TEU CORPO
Beijar teu peito
enquanto as mãos
se perdem
no abraço...
----------------
Embriagar-me
na falha
das palavras
pelos odores...

Entorpecer no corpo
o grito
da garganta nua
até cair
no silêncio...

Sentir os poros
nos lábios
rente à alma
inquieta...

É fingir
que o mundo
existe
só para nós.
Maio/96
 
 
Aos que mesmo não vivendo já entre nós,
sobrevivem na memória dos que amaram.


(I)MORTALIDADE


Ainda És
mesmo depois
das lágrimas
em poço fundo
que acompanharam
o corpo

Ainda És
nos rostos salgados
de saudade
em olhar escondido
das pétalas de sol
e de passado.

Novembro/92
 
 

FOI...

Foi um grito
de fantasia
apetecida
Foi um longo olhar
de sal
magoado
Foi um canto
de abandono
estremecido
Foi o nosso amor
que soluçou...
Outubro/95






DOR DE SER

como dói...
sermos nós
com os outros
como dói...
esconder as feridas
na alma
como dói
este grito surdo
no peito de sal...
Novembro/97
 
quinta-feira, dezembro 08, 2005
 
TEMPESTADE

Ao som do vento
rasgado pelo trovão,
desfaço sonhos
iluminados pelos raios...
desarrumo ideias,
enquanto chove lá fora
e no meu olhar.
Procuro uma palavra
ou um ombro quente
perdidos na tempestade.
Novembro/95
 
 
Férias sem sonho

Esqueço as horas
Contadas nos minutos
Enquanto arrumo dias vazios
De solidão inteira…

Não me encontro…

Perco-me entre memórias
Consumo desilusões
Enfrento medos
Na ficção do desejo real

Chamam a isto férias!

(3-Ago-04)
 
 
Escolhas...

Não! Não vou por aí!
Os silêncios hão-de mostrar-me
o caminho certo.

Não! Não procuro a distância!
As cicatrizes no meu peito
Dizem-me baixinho:
Sobe devagar,
Assegura-te que não cais,
Ouve o coração,
Não ignores a razão.
 
 




Passeio

O verde que flanqueia a estrada
convida
e os aromas campestres
apelam…

Ao longe,
um rebanho sem pastor
é a melodia do tempo.

A irresistível caminhada
é o desafio…
e os passos (in)seguros
procuram o reencontro.
 
 
Trabalho no campo

Em passos demorados
Saboreiam silêncios
Suspensos ao toque do sino

De semblantes enrugados
Mastigam o passado
Que o futuro já não traz

Carregam a dureza
do trabalho no campo

Já não sonham
Mas ainda vão às festas
à missa
e aos funerais.
 
 

SOLIDÃO


Cresce o silêncio
Ensurdecedor
À volta destas paredes mudas
…Trancam-se as portas
Da alma…
Murmuro sílabas vazias
À espera do teu abraço.

 
 
Regresso

Volto à minha terra
Para sarar as feridas
Abertas na cidade.

O ar da Gardunha
É o único medicamento
Sem contra-indicações.
 
 
O MUNDO A DESFAZER-SE NA IDADE

Por mais palavras que não digas
Entre silêncios murmurados
Por mais sonhos que prometas
Entre luas e vitórias inacabadas
Nada cala esta dor profunda
Nada sossega esta ansiedade
De estar só entre todos…

Mesmo quando o teu abraço forte
Ofega no meu corpo ardente
Mesmo quando as doces carícias
Percorrem o mais íntimo do meu ser
Não há Primavera nem Outono
Nem guitarras neste fado
Nem voz para este sentir…

É o mundo a desfazer-se na minha idade
Sem que dois possam ser três…

Por mais palavras que oiça
Por mais esperanças que alimente
A alma também se esgota!
E as lágrimas já não sabem a sal
São apenas uma gostosa companhia…

Agosto 2005-08-04
 
Um Espaço para Sentir, para Mastigar: Palavras, Sentidos, Imagens, Sonhos, Luz e Sombra...

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