Luz de Sombra
quarta-feira, janeiro 10, 2007
 
Feira dos Chocalhos I

Entre chocalhos,
Gaiteiros,
Bombos,
Tascas,
Bordados
E amigos…
Cruzam-se sorrisos
de esperança…
e contentamento.
Trocam-se desabafos
e lamentos…
Entre uma perna de filhó,
Um tinto,
Uma rodela de chouriço,
Um pedaço de queijo,
Um naco de pão,
Ou um pastel…
Ouve-se mais uma história:
Da capela do Leão,
Do Picadeiro,
Da serra…
E são três dias
De festa rija!


















Feira dos Chocalhos II

O pastor engalanado,
(Cajado bem seguro)
Sobe a calçada.
Distribui sorrisos
Apertos de mão
E sabedoria
De mais de oitenta anos!
O ti Lopes
Está no cartaz,
Nos jornais,
Na rádio,
E nas nossas ruas.
Os forasteiros arregalam o olhar…
Mas nós sabemos
Dos tesouros que ele guarda:
O segredo do queijo
A magia dos silêncios
O recato das serras
A solidão...

(Setembro 2005)
 
 














SEGREDO DA GARDUNHA

Sabes!?
O vento trouxe-me um segredo.
Veio da Gardunha!
Não foi um sonho
Nem um desejo
Nem um engano
O vento trouxe-me um segredo...
E veio da Gardunha!
Estava eu a amar…
Quando ouvi um murmúrio…
Era o vento!
Era o segredo!
Era a verdade!

(Junho 2005)


Passeio

O verde que flanqueia a estrada
convida
e os aromas campestres
apelam…

Ao longe,
um rebanho sem pastor
é a melodia do tempo.

A irresistível caminhada
é o desafio…
e os passos (in)seguros
procuram o reencontro.


(Junho 2005)

 
 
SOLIDÃO

Cresce o silêncio
Ensurdecedor
À volta destas paredes mudas
…Trancam-se as portas
Da alma…
Murmuro sílabas vazias
À espera do abraço.
 
  O Sofrimento de Escrever

Ora tenho as palavras, ora me escapam, no percurso entre o pensamento e o sentido que lhes quero dar e o tempo de as colocar no papel. Gasto-as, emendo--as, oiço-as, mergulho no seu étimo à procura de novos sentidos e perco-me nas mensagens que me invadem, entre a informação que obtenho e as novas ideias que surgem e se dissipam.
Mas não desisto deste vício de transmitir sentimentos, partilhar convicções, alertar para tanta desumanidade ou simplesmente confortar silêncios.
Haja palavras que consigam dizer tudo o que sinto, penso, sofro, vejo, absorvo! Nem sempre se atinge o objectivo – é verdade – mas a insistência sobrevive ao desespero, o desafio é aceite e o trabalho continua sempre, nesse desbravar de raízes profundas, mesmo quando tantos insistem em saltitar pela superficialidade do palpável!
Dou um exemplo: ontem o meu poema era azul, hoje o silêncio é alvo, mas essas matizes não me satisfazem e irei procurar novos tons para a minha tela incolor.
Não, não quero ouvir mais vozes, quero a ventania do silêncio agudo, quero a luz dos olhares, porque ao encontrar sentidos nasceu a desilusão - mais uma vez me persegue essa espada, até ferir a alma!
Tantas palavras nos separam e nos unem, tantos trambolhões dão estas sílabas desorganizadas, até aceitar o esboço, sempre imperfeito, sempre provisório, sempre rascunho do que afinal não alcanço!
Fumo mais um cigarro, desprezando a informação consciente do mal que faz; sinto a nicotina a satisfazer o vício e pergunto-me pela estupidez do acto, sem querer assumir qualquer resposta...
O momento produtivo esvaziou-se e fica a sensação de um passo em suspenso, mesmo colocando este ponto final.
(2006)
 
Um Espaço para Sentir, para Mastigar: Palavras, Sentidos, Imagens, Sonhos, Luz e Sombra...

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