Procissão do Anjo da Guarda
Caminho
Num silêncio iluminado
Abraçada a gente boa
Longa é a distância
E quando a banda toca
Arrepia
Até ao fundo da alma
Não sei
Quem acompanhar…
Divido o coração
Segredando às velas
Que o vento
Não apagou
Quem são os eleitos
Que o Anjo
Há-de Guardar.
Ignoro a multidão
Para me sentir mais perto
Dos que amo.
Não é solidão
Apenas o impossível
De estar e não estar
Mesmo existindo
Uma paz insuportável.
Caminham comigo
Passo a passo
Olhares
Esgares
Disfarçados de abraços
Que sentem
O meu sentir:
São os meus Anjos
Os que me guardam
Quando dói existir
Quando as palavras
Se perdem
E as forças falham.
Acredito neste
Amor
Puro
Sereno
Partilhado na franqueza
De ler nos olhos
A alma.
(Alpedrinha Agosto 2006)