Luz de Sombra
ROSTO DE SAL

Em rosto de sal
mastigo amarguras
desencontros
e palavras duras.
Em solidão
queimo sonhos
ilusões
e mágoas.
Esta
também sou eu.
(13/03/07)
Al(pedrinha) IUm materialista questionava:
Uma terra com alma?
Um dia o destino
Levou-o à encosta
Onde o granito é água,
O verde é luz,
O azul é serra,
E os segredos respiram-se!
O materialista confessou:
Reconheço, e muito me custa,
Há pedrinhas com alma!
Trabalho no campoEm passos demorados
Saboreiam os silêncios
Suspensos ao toque do sino
De semblantes enrugados
Mastigam o passado
Que o futuro já não traz
Carregam a dureza
do trabalho no campo
Já não sonham
Mas ainda vão às festas
à missa
e aos funerais.
(Aos trabalhadores do campo,
de Alpedrinha, pela dureza da jorna,
de sol a sol...)
Segredo-cerejaNum canto do lameiro
Da quinta dos meus avós
Havia uma cerejeira
Inteligente…
Um dia segredou-me
Em voz de vento
E cor de paixão
Bem redonda
Que só morrem
Verdadeiramente
Os sem coração
E sem memória!
SonhosEmbalo sonhos
disfarçados de real
Acaricio desejos
de palavras ardentes.
Grito o silêncio
desfeito na terra
sem fruto
sem raízes
sem semente
que terei para o amanhã?
(Abril/05)
Busca IncessanteProcuro...
entre o grão de areia
e a montanha mais alta
A Palavra.
Procuro...
A sílaba mais simples
o som mais claro,
entre a serra
(a Gardunha)
e a cidade!!
Mas não encontro
senão silêncios de granito!...
(Maio 2005)
Não Sei
É a verdade!
Não sei...
Nem posso saber
do futuro!
Nem sei
Se queria conhecer
esse amanhã.
Sei hoje
Quem amo,
Com o que sonho,
Mesmo que isso
Não me baste!
Tenho uma verdade!
(Maio 2005)

SolidãoEstar só
entre tanta gente...
Mastigar os gestos
entre a saudade
de te ter
nos meus braços...
O olhar salgado
a esconder-se
e uma palavra
que não oiço!
Isto é solidão!
(Maio 2005)
Um Espaço para Sentir, para Mastigar:
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